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  :: GILBERTO AMADO      (1887)            Poesias. José Olympio, 1954  

 

GILBERTO AMADO      (1887)            Poesias. José Olympio, 1954

 



 

FORA DE MODA

 

És fresca, rosada,

Mas inatual, distante,

Antiquada, fora de moda,

És assim como a palavra Arrebol.

 

Em ti o sol se ilumina

E em ti o sol fica contente,

Em ti tudo se torna mocidade.

És uma alegria, és uma festa

Mas inatual, fora de moda,

És assim como a palavra Folguedo.

 

És o oposto do dancing,

Do cock-tail,do cassino,

E da boite,

És leve, és jovem, mas antiga,

És como a palavra Passatempo.

 

Em ti cantam as cores claras,

Dança a vida nos teus braços

Mas a dança em ti é farândola

É cirandinha,

É roda de São João,

Inatual, evocativa, fora de moda,

És assim como a palavra Festival.

 

Em ti cantam as cores claras,

As cores escuras em ti trepidam frescas,

Nos teus olhos acendem-se os carvões,

Faíscam em teus olhos pedras foscas.

És a luz, mas com calor,

E todo esse luzir,

Todo esse brilhar,

Que em ti e de ti se expande,

É antigo, é fora de moda,

É assim como a palavra Desatino.

 

Tua beleza se chama Formosura,

Teus movimentos se chamam corrupio.

Eis outras palavras que te vão:

Louçania, anelo, recuerdo,

Partida, moçoila, passeata,

Também deidade, donaire, contradança,

Cortesia, cantoria,

São palavras condizentes com o teu ser...